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MPE exige ações do TSE para assegurar voto de povos indígenas no segundo turno

MPE exige ações do TSE para assegurar voto de povos indígenas no segundo turno
MPE exige ações do TSE para assegurar voto de povos indígenas no segundo turno

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Resumo: MPE solicita ao TSE providências para assegurar o voto de povos indígenas no segundo turno. Relatos de dificuldades de transporte e de mesários que falem línguas indígenas foram registrados no primeiro turno em estados como Minas Gerais, Mato Grosso, Amapá, Pernambuco, Amazonas e Pará. Univaja teve pedido negado pelo judiciário para transporte em 43 aldeias; abstenção indígena no 1º turno ficou entre 30% e 35%. Vale do Javari (AM) abriga 6 mil indígenas em 74 aldeias e está cercado por riscos como narcotráfico, garimpo e desmatamento.

Vale do Javari, Amazonas — O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, providências para assegurar o direito ao voto da população indígena no segundo turno das eleições, marcado para domingo (25). O órgão recebeu relatos de dificuldades de transporte e de falta de mesários que falem línguas indígenas durante a votação do primeiro turno.

Segundo o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, os problemas foram registrados em Minas Gerais, Mato Grosso, Amapá, Pernambuco, Amazonas e Pará. O MPE solicitou apoio institucional para corrigir os obstáculos e evitar novas restrições ao exercício do voto. Um dos casos envolve a Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas.

A Justiça Eleitoral negou um pedido da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) para disponibilizar transporte fluvial gratuito, água e alimentação a eleitores de 43 aldeias durante o segundo turno. Na decisão, a juíza Dálethe Borges Messias, da 42ª Zona Eleitoral do Amazonas, reconheceu a importância de garantir o voto dos indígenas em condições de igualdade, mas afirmou que a solicitação foi apresentada fora do prazo necessário para organizar a operação.

A magistrada também apontou falta de recursos da Justiça Eleitoral para custear o transporte e a alimentação. A Univaja afirmou que, em eleições anteriores, houve articulação com a Justiça Eleitoral para viabilizar o deslocamento dos eleitores, porém a logística não foi garantida neste ano. Segundo a entidade, a abstenção indígena no primeiro turno ficou entre 30% e 35%, e a negativa preocupa diante das dificuldades de acesso às seções eleitorais.

A Terra Indígena Vale do Javari tem cerca de 8,5 milhões de hectares e abriga mais de 6 mil indígenas, distribuídos em 74 aldeias e sete povos. Localizada no oeste do Amazonas, na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, a região concentra povos indígenas isolados e enfrenta ameaças como narcotráfico, garimpo ilegal e extração clandestina de madeira.

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