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Conselho Superior do MPF decide não instaurar investigação contra Gonet

Conselho Superior do MPF decide não instaurar investigação contra Gonet
Conselho Superior do MPF decide não instaurar investigação contra Gonet

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Resumo: O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) rejeitou a abertura de apuração preliminar sobre a atuação do procurador-geral da República Paulo Gonet no Caso Master e afastamento dele das ações como representante da PGR. A decisão, em votação de 5 a 4, seguiu o relator Francisco Sanseverino, que argumentou ausência de indícios de crime. A decisão ocorreu após questões sobre a relação de Gonet com o empresário Daniel Vorcaro e a divulgação de uma foto dele em evento financiado pelo investigado. Palavras-chave: MPF, CSMPF, Gonet, Caso Master, Vorcaro, notícia-crime.

Manoela Alcântara

O Conselho do MPF rejeitou pedidos feitos em notícia-crime para afastar Gonet do Caso Master e investigá-lo após mensagens de Vorcaro

25/09/2026 17:45

atualizado 25/09/2026 17:47

O CSMPF decidiu não abrir uma apuração preliminar sobre a atuação do procurador-geral da República Paulo Gonet no Caso Master e também rejeitou os pedidos para afastá-lo dos processos em que atua como representante da PGR.

Por 5 votos a 4, a maioria acompanhou o relator, subprocurador-geral Francisco Sanseverino, que argumentou não haver elementos mínimos que indiquem a ocorrência de crime ou a participação de Gonet.

Votaram contra a abertura da apuração Francisco Sanseverino, Celso de Albuquerque Silva, Alexandre Camanho, Hindenburgo Chateaubriand e o vice-presidente do conselho, Nicolao Dino. Já votaram pela abertura Janice Agostinho Barreto Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, José Adônis Callou de Araújo Sá e Ana Borges Coelho Santos.

Para o relator, o fato de Gonet não ter trocado mensagens diretamente com Vorcaro enfraquece a alegação de uma amizade íntima entre eles, apontada na inicial. A discussão ocorreu após menções ao nome do PGR e à divulgação de uma foto dele em evento financiado pelo empresário.

Foi destacada ainda a necessidade de esclarecer se houve relação entre a imagem divulgada e eventual interesses no desfecho do processo, mas a maioria entendeu que não houve configuração de impedimento ou suspeição suficiente para justificar a apuração.

A notí­cia-crime abordava pedidos para que Gonet fosse considerado suspeito ou impedido de atuar no Caso Master e para investigá-lo por eventual crime de prevaricação.

Em 3 de setembro, o Diretório Nacional do Partido Novo apresentou a notícia-crime destacando três motivos para a suspeita: proximidade de amizade com Vorcaro, recebimento de presentes (uma viagem internacional para Gonet e seu filho) e interesse no julgamento em favor de Vorcaro. O documento ainda alegava que a ausência de declaração de incompatibilidade sugere potencial prática de crime.

O CSMPF, no entanto, entendeu que não ficou comprovada relação de amizade íntima entre Gonet e Vorcaro. Além disso, a presença do procurador em evento organizado pelo empresário, com a participação de outras autoridades, não implica automaticamente em conflito de interesses ou impedimento.

Na defesa apresentada ao subprocurador-geral Francisco de Assis Vieira Sanseverino, Gonet negou veementemente qualquer amizade ou proximidade com Vorcaro. Em tom direto, afirmou que não mantém relação de amizade com o empresário nem tem interesse pessoal nos processos envolvendo Vorcaro.

“Por questão lógica, já que a suspeita projetaria efeitos sobre a minha atuação nos feitos respectivos, posso afirmar, em termos bastante diretos e simples, que não tenho com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos tenho interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado”, afirmou.

Gonet informou ainda que o único encontro presencial com Vorcaro ocorreu em abril de 2024, durante um evento jurídico público em Londres, com a participação de diversas autoridades. Também alegou não poder se responsabilizar por mensagens atribuídas a terceiros que usem seu nome.

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